Quinta da Regaleira: o lugar mais místico de Sintra

Quinta da Regaleira: o lugar mais místico de Sintra

outubro 18, 2018 0 Por lugaresincriveisadmin

Quinta de Regaleira foi habitada, durante mais de dois séculos, por ilustres famílias portuguesas e está, hoje em dia, aberta ao público, servindo de cenário a uma multiplicidade de manifestações culturais, designadamente, teatro, ópera, recitais, exposições temporárias, etc. Situada em pleno centro histórico classificado como Património Mundial, em 1995, pela UNESCO, mantém a designação actual desde pelo menos 1830, data em que era seu proprietário Manuel Bernardo.

A primeira notícia desta propriedade data de 1797, quando, nos limites da vila de Sintra, são adquiridos os terrenos que a viriam a integrar. Mais tarde, cerca de 1715 as mesmas terras vêem a ser adquiridas em hasta pública por Francisco Alberto Guimarães Castro. No final do sec. XVIII, aquele lugar era conhecido como Quinta da Torre ou Quinta do Castro. Entretanto, em 1840, a Quinta da Torre é vendida a Ermelinda Allen Monteiro de Almeida – Baronesa da Regaleira -, filha de um abastado comerciante do Porto. Em 1892, os barões da Regaleira venderam a Quinta a António Augusto Carvalho Monteiro, que transformou a na configuração que mantém actualmente, isto é, avassaladoramente romântica, envolta em mistérios e lendas, e segredos maçónicos.

António Augusto Carvalho Monteiro (1848-1920), genericamente conhecido por “Monteiro dos Milhões”, licenciado em Leis pela Universidade de Coimbra, nasceu no Brasil, herdeiro de uma notável fortuna proveniente do comércio de cafés e pedras preciosas. Homem culto, coleccionador de raridades bibliográficas e antiguidades, apaixonado por temas como a Alquimia, a franco-maçonaria e os Templários, concebeu a Regaleira como uma verdadeira “mansão-filosofal”.

A Quinta da Regaleira apresenta-se como o mais significativo e imponente dos monumentos simbólicos edificados em Sintra. Da conjugação dos sonhos de Carvalho Monteiro com as artes de Manini e dos artesãos da pedra, nasceu um edifício arquitectonicamente muito rico num misto de estilos e de grande originalidade. Traços manuelinos são visíveis na utilização de ornamentos como cordames, elementos vegetais, esferas armilares e colunelos torsos, sendo utilizados uma série de novos elementos como animais e espécies antropomórficas, símbolos esotéricos relacionados com a alquimia e a maçonaria, revelando as ideias e convicções de Carvalho Monteiro.